27 de novembro de 2011

Porto Alegre, Democracia e Novas Tecnologias

Na minha experiencia à frente da Secretaria de Governança Local de Porto Alegre, tenho procurado promover a introdução de inovações tecnológicas que auxiliem a potencializar a prática da democracia participativa na cidade.
Como é conhecido, Porto Alegre ao longo das últimas décadas construiu uma complexa e diversificada rede de participação democrática, cujo principal símbolo é o orçamento participativo. Ao lado dele, constituiram-se os conselhos populares, os conselhos de políticas publicas, os conselhos tutelares, os foruns de segurança e cidadania, as redes de proteção a criança e ao adolescente e agora, como resultado do V Congresso da Cidade, os comites de bairros e a rede de cuidadores da cidade. A articulação dessas diferentes redes sociais em cada território da cidade, constituído de vilas, bairros e regiões, assim como na cidade como um todo, durante a mobilização do V Congresso, possibilitou a introdução de plataformas colaborativas como a www.portoalegre.cc, parceria com a Unisinos e a Parceiros Voluntários, com o propósito de ampliar o envolvimento das pessoas com a construção da cidade e a melhoria da nossa qualidade de vida e de convivência.
Inovação Aberta
Aprofundando sua vocação inovadora e aberta para as ideias e a diversidade, que fez de Porto Alegre a capital do Forum Social Mundial, acabamos de propor uma experiência pioneira de inovação aberta em nivel de cidades no Brasil, em parceria com a Campus Party. Pessoas da cidade e de todo o mundo foram conclamadas a colaborar com novas idéias e projetos para melhorar a vida dos portoalegrenses. Desafios nas áreas da educação, saúde, mobidade urbana, geração de trabalho e renda e desenvolvimento tecnológico foram propostos para os campuseiros e outros interessados em colaborar com os cidadãos de Porto Alegre. No próximo dia 29 serão apresentados os projetos encaminhados por essa rede munidal de colaboração, uma imensa mobilização de inteligencia coletiva que se formou para pensar e melhorar a vida em nossa cidade. E no inicio de dezembro serão anunciados os projetos vencedores e seus autores convidados a apressentá-los no final do V Congresso da Cidade, dias 9 e 10 de dezembro, no centro de eventos da PUC-RS.
Porto Alegre App
Com o propósito tornar ainda mais transparente a relação governo e sociedade, e facilitar para as pessoas acompanhar e fiscalizar a execução das obras e serviços do plano de investimentos do OP, a Prefeitura de Porto Alegre lançou durante a sessão Democracia Participativa e Cultura Cidadã do X Congresso Mundial da Rede Metropolis, na última sexta-feira, 25, o Porto Alegre App, parceria da Procempa com Gol Mobile, primeiro aplicativo desse tipo para celular da história da cidade e das demais cidades do mundo que praticam o Orçamento Participativo. Com o Porto Alere App, a Prefeitura de Porto Alegre inaugura o fornecimento de informações de serviços ao cidadão através do telefone celular, que é utilizado por nada menos do que 98% das pessoas na cidade. É impotante destacar que o Porto Alegre App permite uma interação do cidadão com o poder público via fotos e comentários sobre as obras e serviços do OP.
Wikicidadania
As inovações tecnológicas que Porto Alegre começa a introduzir nas suas experiências de democracia participativa começam a dar os primeiros passos para a constituição de uma wikicidadania, um ambiente urbano aberto, plural e radicalmente democrático, em que cada cidadão tem a oportunidade de ser um construtor da cidade, um fiscalizador das políticas públicas, um colaborador com açoes e projetos de melhoria da convivência e do espaça público, enfim um efetivo agente de mudanças e transformações, que façam da cidade um lugar cada vez melhor para se viver.

18 de novembro de 2011

A construção democrática de uma cidade melhor

A questão da democracia aflora com todo o vigor na experiência cotidiana da vida na cidade. A democracia institucional que praticamos traduz-se em eleições periódicas, alternância no poder, exercício de liberdades, vigência do Estado democrático de direito. Embora essa seja sua dimensão fundamental, democracia é mais do que isso. Na nossa vida cotidiana, democracia é a capacidade de conviver em harmonia com o outro, praticar o diálogo, o respeito à diferença, a negociação pacífica de conflitos, o exercício diário da colaboração.

Para convivermos no espaço público, a prática da democracia torna-se uma necessidade da própria sobrevivência coletiva. Não é outro o propósito do V Congresso da Cidade, que está se realizando ao longo deste ano em Porto Alegre, reunindo lideranças de todos os setores para formar comitês de articulação e mobilização do desenvolvimento local, primeiro em cada bairro, em seguida nas regiões administrativas e de planejamento e, por fim, na cidade como um todo.

Ao mesmo tempo, o V Congresso reuniu as quatro maiores universidades que atuam na cidade para cada uma liderar debates sobre o futuro nas áreas do desenvolvimento econômico (Ulbra), cidadão (UFRGS), urbano-ambiental (PUC) e desenvolvimento humano (Unisinos). De forma democrática e participativa, está sendo construído um plano de futuro para a cidade, mirando a Copa de 2014 e o ano de 2022, quando Porto Alegre celebra 250 anos de fundação.

Aproveitando as facilidades proporcionadas pelas novas tecnologias, o V Congresso da Cidade lançou também a plataforma colaborativa www.portoalegre.cc, numa parceria com Unisinos, Parceiros Voluntários e Prefeitura de Porto Alegre, com o propósito de fomentar também pela internet a colaboração cidadã para melhorar a cidade.

O evento articula, assim, uma poderosa rede de cuidadores da cidade, multiplicando o número de porto-alegrenses que colaboram para um trânsito mais seguro e pacifico, para cuidar das praças, parques, monumentos, da calcada em frente a sua casa ou empresa. Pessoas que colaboram para manter a cidade limpa, cuidam dos vizinhos, das pessoas em necessidade, enfim, pessoas que incorporam em sua vida a atitude de cuidar do espaço público e dos seus semelhantes.

“Porto Alegre Eu Curto Eu Cuido”, significa que, se amamos nossa cidade, temos que cuidar melhor dela. Porto Alegre precisa muito ser mais e melhor cuidada. E, nesse propósito, cada um tem que fazer a sua parte, assumir a sua responsabilidade, sem exceção, poder público, empresas, instituições sociais e cidadãos. O resultado desse pacto pelo futuro e pelo cuidado com a cidade será uma Porto Alegre muito melhor do que a que temos hoje, uma cidade transformada pelo comprometimento e atitude de cada um de nós.

Cezar Busatto

28 de agosto de 2011

23 de julho de 2011

Notas sobre a Governança da Cidade de Porto Alere

Publico reflexão sobre as inovações democráticas e de gestão governamental que a cidade de Porto Alegre vem experimentando, especialmente ao longo das últimas duas décadas, no contexto do movimento de afirmação do poder político das cidades no mundo.
É um texto inicial que submeto à avaliação e crítica dos amigos e amigas que me seguem, de quem muito gostaria de receber sugestões de aperfeiçoamento, pelo que desde já agradeço.
O texto foi escrito a partir da exposição que fiz no painel Novos Modelos Novos Tempos, no evento Campus Party Valencia, na Espanha,o último dia 14 de julho corrente.


I.A Governança Global e o Fortalecimento das Cidades

1. As cidades começam a articular-se mundialmente e ganhar peso como atores políticos globais na última década.
2. A Rede Metropolis completa dez anos como a rede mundial das cidades de mais de um milhão de habitantes e, junto com outras redes regionais de cidades da Europa, África, Ásia, Canadá e América Latina e, mais recentemente, Estados Unidos, forma em 2003 a rede mundial de cidades denominada Cidades e Governos Locais Unidos (CGLU).
3. O Brasil participa ativamente deste processo através da Confederação Nacional de Municípios (CNM), afiliada à Federação Latinoamericana de Cidades e Municípios (FLACMA).
4. As causas que unem as cidades no mundo inteiro relacionam-se com a busca de maior autonomia política, administrativa e financeira no âmbito de seus próprios países, ao lado do fortalecimento da voz das cidades nos fóruns mundiais de tomada de decisões, como é o caso da ONU, OMC e outras.
5. Recentemente, a rede Metropolis tomou a iniciativa de constituir um Fundo Mundial de Desenvolvimento de Cidades(FMDC), com o propósito de oferecer uma nova alternativa de financiamento para as cidades, através da captação de recursos no mercado financeiro privado, sem depender das agencias de financiamento oficiais e do aval dos governos nacionais, como ocorre hoje na maior parte dos países.
6. Porto Alegre tem tido uma participação ativa desde o início deste processo de afirmação política das cidades no contexto global, participando da fundação e ocupando hoje uma das vice-presidentes da CGLU e a tesouraria do FMDC. Inclusive, Porto Alegre deverá ser a primeira cidade do mundo a realizar uma operação financeira estruturada pelo FMDC junto ao mercado financeiro privado.

II. Porto Alegre, Referência Mundial de Cidade Participativa

7. Ao longo das últimas três décadas, especialmente, Porto Alegre começou a constituir uma genuína experiência de democracia local, que combina a democracia representativa clássica com diferentes instancias de democracia participativa e, mais recentemente, de democracia colaborativa.
8. Este processo tem em seus fundamentos a rede de centenas de associações de moradores que se organizaram nas últimas décadas nos bairros e vilas da cidade para defender os direitos dos moradores à terra, moradia, serviços públicos básicos e condições gerais de vida dignas.
9. No esteio das transformações promovidas pela Constituição Cidadã de 1988, começou a ser organizado em Porto Alegre a partir de 1989 o Orçamento Participativo. Posteriormente, instituíram-se os Conselhos de Políticas Públicas, os Conselhos Tutelares, as Redes de Proteção às Crianças e Adolescentes, os Foruns de Planejamento e, mais recentemente, a partir de 2005, a rede de Governança Solidária Local e os Foruns de Segurança e Cidadania. Ao longo desse período, foram realizados 4 Congressos da Cidade, que definiram diretrizes para o aperfeiçoamento político, administrativo e urbano da cidade. Este complexo de instancias conforma a rede de participação democrática da cidade, que tornou Porto Alegre reconhecida mundialmente como o berço da democracia participativa.
10. Foi a partir desta identidade, reconhecida em escala mundial, que Porto Alegre passa a sediar a partir de 1999 o Forum Internacional de Software Livre (FISL), cuja 12@ edição ocorreu neste ano de 2011 e, a partir de 2001, o Forum Social Mundial, que já teve cinco edições na cidade e se prepara para uma nova edição em janeiro de 2012.
11. No próximo mês de setembro de 2011, Porto Alegre sediará a Conferência Internacional sobre Água e Saneamento, no mês de novembro de 2011 o X Congresso Mundial da Rede Metrópolis e, em maio de 2012, a Conferência Internacional dos Observatórios Locais de Democracia Participativa.

III.As Inovações Democráticas e de Gestão de Porto Alegre

12. A cidade de Porto Alegre tem um ambiente social e político propício ao desenvolvimento de novas experiências bem sucedidas de vida democrática cidadã ao longo de sua história recente. As associações de moradores vicejaram ao longo de décadas e sobre a sua base desenvolveram-se os Conselhos Populares e o Orçamento Participativo nas 17 regiões administrativas, experiência de definição direta pela população da aplicação dos recursos do orçamento público que já vigora há 22 anos, tendo sobrevivido a governos de diferentes partidos.
13. Os 26 conselhos de políticas públicas formulam políticas e exercem controle social sobre as mais diferentes áreas de ação governamental, como saúde, educação, segurança, crianças, idosos, mulheres, juventude e outros; uma reconhecida em bem estruturada rede de proteção aos direitos de crianças e adolescentes assegura o cumprimento do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), através do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, do Forum constituído de mais de 500 Entidades, dos Conselhos Tutelares em dez regiões e das Redes de Proteção á crianças e adolescentes em doze regiões da cidade.
14. Ao lado destas iniciativas de democratização política e administrativa da cidade, desenvolveu-se um processo de descentralização política e administrativa da gestão governamental, primeiramente com a criação das Coordenadorias Administrativas Regionais (CAR), que hoje já existem em 14 das 17 regiões do OP, e das Coordenadorias do Orçamento Participativo (CROP), que existem em todas as 17 regiões do OP.
15. A partir de 2005, Porto Alegre experimenta um novo processo de inovações políticas e administrativas, com a conformação de um novo modelo de gestão governamental e de uma nova rede de participação democrática, com base no conceito de Governança Solidária Local. O novo modelo de gestão está voltado para a realização de programas de governo finalísticos através de comitês transversais de gerenciamento. Já a nova rede de participação democrática dedica-se ao desenvolvimento de capital social nas comunidades locais.
16. A Governança Solidária Local e o novo modelo de gestão rompem com a organização setorial do governo e introduzem a transversalidade como metodologia sistêmica de abordagem dos problemas e suas soluções; aprofundam o processo de integração territorial dos órgãos e ações de governo e sua articulação com as comunidades locais; e promovem a transparência das ações de governo pela sistematização e monitoramento do planejamento estratégico por objetivos e metas através do Portal de Gestão.
17. No ano de 2010, a prefeitura realiza mais uma inovação na gestão governamental. Pela primeira na história da cidade é implantada uma legislação específica sobre os CARs, determinando-lhes três eixos prioritários de atuação: a qualificação dos serviços públicos, o fortalecimento da democracia local e a melhoria do atendimento direto ao cidadão. Com essa iniciativa, uma política de fortalecimento dos CARs e de consolidação da descentralização administrativa passa a ser implementada com prioridade pela prefeitura.
18. No corrente ano de 2011, através da realização do V Congresso da Cidade, Porto Alegre assume o bairro como o principal território de identidade da cidade; lideranças representativas do primeiro, segundo e terceiro setores de cada bairro passam a definir seus motes e metas para o ano de 2014, quando Porto Alegre sediará a Copa do Mundo, e para 2022, quando a cidade comemora seu quarto de milênio de fundação; é formado o Comitê de Articulação e Mobilização de cada bairro, com a responsabilidade de promover ações com vistas a alcançar os objetivos propostos; é constituída uma nova ferramenta de aferição de resultados, denominada Bússola do Desenvolvimento Local; essa metodologia será replicada nas 17 regiões administrativas, nas 8 regiões de planejamento e, ao final do processo do Congresso, no mês de novembro, para a cidade como um todo; e, finalmente, passa a ser fomentada a rede de cuidadores da cidade, através da capacitação de multiplicadores realizada pelo CapacitaPoa, em parceria com a Parceiros Voluntários e o Instituto de Estudos e Pesquisas em Psicoterapia.
19. Ao lado da mobilização e articulação territorial, as quatro maiores universidades que atuam em Porto Alegre lideram o debate e a formulação de diretrizes sobre quatro eixos temáticos de desenvolvimento da cidade: eixo Urbano e Ambiental, a cargo da PUC; Econômico, ULBRA; Humano, UNISINOS; e Cidadania, UFRGS.
20. O V Congresso da Cidade inovou também na utilização da mobilização e articulação através da internet com o lançamento da plataforma colaborativa portoalegre.cc , que objetiva estimular as pessoas a realizarem ações colaborativas de melhorias e cuidados da cidade na sua rua, vizinhança, bairro ou na cidade como um todo.
21. Uma ação estratégica de comunicação denominada Eu Curto Eu Cuido foi desencadeada para multiplicar ações de cuidado com a cidade, ampliar a rede de cuidadores da cidade e fomentar uma nova cultura cidadã em Porto Alegre, que se baseia na concepção de que o desenvolvimento sustentável da cidade acontece quando os cidadãos assumem sua corresponsabilidade com a cidade que lhes pertence.

IV.O Desenvolvimento das TICs em Porto Alegre

22. A esse movimento de transformações democráticas e de gestão correspondem diferentes ferramentas tecnológicas de informação e comunicação. Quando falamos de novas tecnologias de informação e comunicação, estamos tratando necessariamente de redes e sua morfologia. Na linguagem das redes, portanto, a uma organização política centralizada, como é a feição convencional da prefeitura, correspondem formas de comunicação em rede centralizada como é o caso da página da Prefeitura de Porto Alegre na internet e o Portal de Transparência. São ferramentas, em verdade, mais de informação unidirecional governo-cidadãos do que propriamente de comunicação, pois neste caso pressupõe-se a interatividade.
23. Na medida em que a Prefeitura de Porto Alegre passa a descentralizar sua ação política e administrativa, com a implantação do OP por regiões e a constituição dos CARs e CROPs, abre-se o caminho para a implantação de redes de informação e comunicação descentralizadas, o que vem a acontecer com as páginas do OP e do Observatório da Cidade de Porto Alegre (ObservaPoa), mesmo em suas versões atualizadas, ambas com informações regionalizadas, mas com baixa interatividade.
24. A disseminação de redes e de ações de governança nos últimos anos e, sobretudo a partir deste ano de 2011, a implantação dos Comitês de Articulação e Mobilização por bairro, através do V Congresso da Cidade, com a multiplicação de cuidadores da cidade em todos os bairros, ou seja, uma rede de pessoas que praticam a democracia colaborativa no seu cotidiano, cria as condições sociais, políticas e culturais para a implantação de uma efetiva rede de comunicação de morfologia distribuída, a plataforma colaborativa portoalegre.cc .
25. Pela primeira vez na história da cidade, uma rede de comunicação de morfologia distribuída é implantada, abrindo caminho para a interatividade plena, livre, aberta e sem controle, cidadão-cidadão, cidadão-governo e governo-cidadão. Essa é, provavelmente, a inovação mais significativa na história da democracia em Porto Alegre, certamente com importantes implicações no desenvolvimento do modelo de gestão e governança da Prefeitura e dos valores da territorialidade, transversalidade e transparência que lhe deram origem.
26. A abertura da cidade a partir de cada bairro para a experiência de colaboração em rede, tanto presencial como pela internet, com o efetivo apoio da própria Prefeitura, cria também a possibilidade de atrair para a cidade a experiência mundialmente reconhecida da Campus Party e, juntamente com ela, uma iniciativa de “open innovation” (inovação aberta através da internet) focada em inovações urbanas que tenham o propósito de melhorar e facilitar a vida e a convivência das pessoas no espaço público.

V.Perspectivas para o Futuro da Governança de Porto Alegre

27. Espera-se que os desdobramentos do V Congresso da Cidade até o final do corrente ano conformem um movimento permanente de Governança Solidária Local em cada bairro, região e na cidade como um todo, que seja capaz de: 1) fortalecer e consolidar os Comitês de Articulação e Mobilização; 2) seguir implementando os motes e metas definidos para cada bairro, região e para a cidade como um todo; 3) aferir seus resultados através das Bússolas de Desenvolvimento Local e do Observatório da Cidade (ObservaPoa); 4) realizar anualmente um grande evento de Balanço da Cidade para assegurar uma dinâmica de melhoria contínua; 5) desenvolver todas as funcionalidades e potencializar a plataforma colaborativa portoalegre.cc ; 6) implementar um processo permanente de capacitação de lideranças comunitárias e de servidores públicos, através do CapacitaPoa; 7) introduzir a reflexão sistemática e permanente sobre a cidade, seus bairros e regiões no meio acadêmico; 8) e, neste processo, qualificar o modelo de gestão e governança da Prefeitura, de modo a conformar-se uma nova arquitetura de gestão pública mais efetiva e uma nova cultura política cidadã mais democrática em Porto Alegre.



9 de maio de 2011

Seriedade com as finanças e valorização dos servidores

O diálogo e a transparência têm pautado as relações da administração municipal de Porto Alegre com seus servidores e a representação da categoria, o Sindicato dos Municipários de Porto Alegre (Simpa). O tensionamento no período de negociação do dissídio, inclusive envolvendo agentes políticos externos ao processo, é legítimo, mas não pode ser baseado em dados manipulados. De fato, graças à austeridade com que trata os gastos públicos e ao esforço permanente para aumentar a receita, a prefeitura tem obtido sucessivos superávits nas suas contas. Os maiores beneficiados com a política séria e eficaz implantada são os cidadãos, com investimentos em obras e serviços que representam mais qualidade de vida para todos e constroem um futuro melhor para nossa Porto Alegre. O novo ciclo do Orçamento Participativo, que terá em 2011 o maior investimento de sua história - mais de R$ 260 milhões -, é um bom exemplo de como aplicar essa política em benefício de todos.

De outra parte, a administração está empenhada em valorizar e beneficiar sempre mais seu quadro funcional, seja garantindo seu poder de compra pelos reajustes salariais, seja com outras iniciativas como o convênio com o Instituto de Previdência do Estado para prestar serviços de assistência médico-hospitalar e laboratorial aos servidores, uma antiga aspiração da categoria que agora se torna realidade. Através do Comitê Municipal de Política Salarial, a prefeitura mantém permanente diálogo com o Simpa, buscando equacionar a pauta de reivindicações do sindicato com a realidade das finanças do município e sem prejuízos para os investimentos de que a cidade necessita. Mais do que uma questão de sensibilidade, trata-se de uma postura de responsabilidade com os recursos públicos.

É importante destacar que, desde 2006, a prefeitura adota uma política salarial baseada na reposição anual das perdas inflacionárias pelo IPCA (IBGE), índice reconhecido e consolidado para negociações salariais, garantindo, ainda, ganhos acima da inflação para as categorias de menor poder aquisitivo. Isso significa que nenhum servidor municipal recebe remuneração abaixo do salário-mínimo.

A valorização dos servidores passa também pela atualização das progressões funcionais, recuperando um passivo herdado de gestões anteriores, pelo início do pagamento do abono permanência, pelo amplo programa de capacitação desenvolvido pela Escola de Gestão Pública, pela revisão do Plano de Cargos e Salários com a participação do Simpa, entre outras vantagens e conquistas. A criação de 511 novos cargos nas áreas da Saúde e da Educação e a contratação por concurso de mais de 2.400 profissionais - priorizando novamente a atenção à Saúde e à Educação - demonstram igualmente a preocupação da administração municipal com a reposição e ampliação de vagas de servidores efetivos, visando especialmente à qualificação dos serviços prestados à população.

Esses são fatos e dados reais. É com base neles que sentamos à mesa de negociações, movidos apenas pelo interesse público, na certeza de que esse é também o entendimento dos servidores e do Simpa.

17 de abril de 2011

Concepções sobre a Vida e a Política

Nos últimos dias, fui convidado para falar num encontro de comunicação e na Conferência Municipal do Idoso de Porto Alegre. Em ambas oportunidades, com diferentes abordagens, dediquei-me a refletir sobre a concepção que temos sobre a vida e a política, e como isso interfere em nossas vidas e na vida em sociedade.

A Visão Darwinista da Vida e da Política

Há uma visão corrente e, diria, predominante entre nós, que considera a vida como uma luta pela sobrevivência em que os mais fortes e mais competentes tendem a impor-se sobre os mais fracos e incompetentes, de tal modo que para vencermos na vida temos que ser fortes e competentes e derrotar os fracos e incompetentes. É basicamente a teoria de Darwin aplicada ao comportamento humano em sociedade, que implica em estabelecer relações adversariais entre as pessoas porque não há lugar para todos e, portanto, para os piores "não há o que fazer". Nesta concepção, não há tampouco lugar para a solidariedade e a colaboração, um vez que a competição fundamenta o comportamento individual e cada um tem que "lutar pelo seu espaço". Essa mesma concepção, foi também transferida para a política, na qual os partidos e grupos políticos se organizam, uns para vencer os outros, tendo sempre como objetivo maior a chegada ao poder do Estado, para exerce-lo segundo suas prioridades e preferencias. Na política tal como a temos praticado não há espaço para a solidariedade e a cooperação, a não ser entre aqueles que se aliam para derrotar os outros e chegar mais facilmente ao poder. Ou seja, a cooperação para estabelecer a disputa num patamar ainda mais aguçado e violento.

O Fundamento Economicista

Ora, estas concepçoes da vida e da política tem por base o comportamento do mercado competitivo, no qual o darwinismo realmente impera, uma vez que sua lógica é crescer e crescer e crescer, derrotando e engolindo os concorrentes, até atingir o limite do monopólio, ou oligopólio, onde um único ou um pequeno grupo controla todo o mercado. Levar para a vida humana em sociedade e para a política esta visão do mercado econômico é simplesmente criar as condições para tornar a vida em sociedade insustentável, como aliás estamos vivenciando na atualidade em praticamente todo o mundo. Simplesmente porque a disputa competitiva para vencer o outro como prática de vida em sociedade e como fundamento da política e da disputa pelo poder nos tem levado aos mais nocivos, perversos e inclusive criminosos comportamentos humanos e sociais, dos quais a corrupção em todas as suas formas tem sido uma expressão tão visível.

A Vida como Relação de Amor

Poderiamos nos perguntar se haveria outro modo de fazer as coisas, outro modo de organizar a vida em sociedade. Para responder a essa pergunta, é preciso primeiro romper com a concepçao darwinista da vida atualmente vigente e compreender que o ser humano é essencialmente produto do amor e que sua realização encontra-se na vida amorosa com o outro, ou seja, na amizade, na solidariedade e na fraternidade. Se partimos deste fundamento, o paradigma da vida em sociedade deixa de ser a competição, como no mercado econômico, e passa a ser a cooperação, na qual os humanos buscam formas de entendimento para colaborar para uma vida harmoniosa e pacífica em sociedade.

A Política como a Arte da Cooperação

No paradigma da cooperação, a vida política passa a ser a arte de conviver em sociedade em torno do bem comum, deixando de lado a disputa fraticida pelo poder. Evidentemente, esta nova cultura política democrática deverá dar origem a novas arquiteturas públicas que nos permitam superar as formas partido e Estado hoje vigentes. Antes da internet e das redes sociais, esses ideais de uma nova forma democrática de organização da sociedade, a partir das pessoas, pareciam impossíveis. Hoje, com a possibilidade de o poder ser exercido pelas pessoas diretamente, através dos novos meios de comunicação em rede distribuída, novas formas de exercício da democracia e novas formas de praticar a política já se tornam perfeitamente viáveis e acomeçam a acontecer na realidade concreta de países e cidades em todo o mundo.

28 de fevereiro de 2011

Cuidar da cidade como a nossa casa

Estamos inaugurando uma parceria importantíssima entre Parceiros Voluntários e a Prefeitura em prol da qualidade de vida dos porto-alegrenses. Ela parte do princípio básico de que cada um de nós é responsável por cuidar da sua cidade.

A cidade é o espaço de compartilhamento da vida em sociedade, local de convivência plena, onde moramos, trabalhamos, construímos nossos projetos de vida. Por que, então, nem todos nós temos consciência do nosso papel no cuidado desse espaço? Por que vemos, diariamente, cenas repetidas de depredação do patrimônio público, de agressão no transito, ou atitudes tão corriqueiras e simplórias como jogar lixo no chão ou depositá-lo em locais não apropriados?

Se atitudes como essas causam revolta à maioria de nós, ao mesmo tempo nos perguntamos porque essa indignação não atinge a todos? O que falta para que cada um dos 1,4 milhão de pessoas da nossa capital compartilhe da mesma preocupação?

Esse questionamento é um dos motes do V Congresso da Cidade, que começa em março e se estende até dezembro. Discutir maneiras de despertar a responsabilidade social em cada um de nós, ou seja, fazer brilhar em cada indivíduo o seu papel de cuidador da cidade é um dos maiores desafios desse evento.

O V Congresso da Cidade propõe-se a ser acima de tudo um palco de encontro de cidades, organizações, empresas que já realizam atividades cuidadoras, como o cuidado com crianças e pessoas carentes, ações de educação no trânsito, seja de forma organizada ou informal. Significa que cuidar da cidade é muito mais do que preservar o patrimônio público: é acima de tudo ter uma atitude fraterna e de respeito com os demais cidadãos, inclusive nas nossas relações familiares, comunitárias e de trabalho.

A Parceiros Voluntários é um exemplo de organização que trabalha de forma exemplar para que sua rede de colaboradores cuide de Porto Alegre, valorizando o conhecimento especializado de cada um de seus membros. O desafio que a Parceiros Voluntários se propõe agora, ao ingressar com elevado compromisso cívico num processo de capacitação de cuidadores da cidade, é levar a outras pessoas essa experiência, mostrar que muito do que já ocorre na cidade são ações de voluntariado espontâneas e que essa rede pode ser articulada em busca de resultados concretos ainda maiores para o futuro. O conhecimento e a experiência das pessoas dessa rede serão compartilhados com outros atores que atuam na esfera municipal, através da rede de participação democrática de Porto Alegre. Em parceria, esses grupos ajudarão a despertar nos territórios de Porto Alegre uma série de ações de mobilização para que cada bairro tenha os seus cuidadores.

Estamos portanto diante de uma grande oportunidade para fortalecer e ampliar a consciência cidadã dos porto-alegrenses, pois da mesma forma que somos detentores de direitos, também temos responsabilidades. Dar exemplo de cidadania é cuidar da nossa cidade como gostamos de cuidar da nossa própria casa.

12 de fevereiro de 2011

Breve Avaliação do Forum Social Mundial de Dacar

Realizou-se aqui em Dacar, Senegal, África, entre os dias 6 e 11 de fevereiro, mais uma edição do FSM. Participei como representante da Prefeitura de Porto Alegre. Vim a Dacar manifestar nosso apoio aos movimentos sociais para que a edição centralizada de 2013 volte a sua origem. Este é um desejo de toda a cidade, não só da Prefeitura. Há uma caso de amor entre Porto Alegre e o FSM desde 2001, quando ele se realizou pela primeira vez. De lá até hoje cinco edições já ocorreram em Porto Alegre, a última em 2005.

Edição de Dacar Marcada pela Desorganização

Tive a oportunidade de participar hoje da Assembléia do Conselho Internancional do FSM, na Maison de la Culture. Cerca de duzentas pessoas passaram mais de cinco horas avaliando essa edição do FSM e a opinião generalizada é Negritoela foi desorganizada e apresentou sérios problemas de logística, essenciais para a boa realização das atividades do grande evento:falta de espaços adequados para as reuniões, pouca informação acessível sobre a programação, deficiencias de tradução, falta de logística básica de comunicação, como acesso a internet, equipamentos som e imagem, etc.

Vitória da Luta do Povo Egipcio

Estes problemas de logística, por um lado, causaram uma certa frustração entre os participantes, mas, por outro lado, foram em parte ofuscados pelo fato da realização do FSM haver coincidido com a vitória do povo egipcio em sua luta pela liberdade e a democracia com a renúncia de Mubarack. A notícia da queda do ditador ontem, sexta-feira, causou grande alegria e entusiasmo nos milhares de altermundistas (assim se chamam os ativistas do FSM) que se concentraram para a Assembléia Final de Convergência para a Ação, no campus da Universidade Cheikh Anta Diop.

Sintonia com as Redes e Mídias Sociais

Se a vitória democrática no Egito realçou a cultura política libertária dos participantes do FSM e consolidou sua presença no continente africano, ela também exerceu o papel de colocar em questão a forma como o espaço político que a realização do FSM representa está sendo organizado. Há uma forte opinião entre os membros do Conselho Internacional de que chegou a hora deste espaço ser requalificado, de modo a harmonizar-se com a emergente cultura política das redes e mídias sociais, colocadas a serviço de uma cidadania ativa e transformadora, especialmente presente na juventude.

Esgotamento de um Modelo

Está perpassando no Conselho Internacional um sentimento de que é preciso atualizar-se, colocar-se em sintonia com os novos tempos, compreender o fenômeno emergente das novas midias sociais, entender essa nova cultura política cidadã, aparentemente desorganizada e caótica, mas instituída de uma potencia mudancista jamais conhecida antes. O momento de avaliação crítica que vive o FSM reflete, pois, o esgotamento de um modelo político baseado em práticas de organizações mais ou menos centralizadas, diante das novas práticas de redes sociais distribuídas, horizontais, sustentadas por pessoas autônomas, ativas, que utilizam as novas mídias sociais para articular-se, mobilizar-se e potencializar suas causas cívicas e transformadoras. Os acontecimentos destas últimas semanas na Tunísia e no Egito revelam essa nova realidade política com toda a evidencia. É hora, realmente, de o FSM parar para um profundo balanço, se quiser seguir desempenhando um papel inovador e de vanguarda como teve nas suas primeiras edições.

30 de dezembro de 2010

Voto Distrital nas Maiores Cidades


Reproduzo abaixo meu posicionamento a favor do Voto Distrital nas maiores cidades, como um aspecto relevante de uma reforma política tão necessária em nosso país. A postagem foi feita no grupo do Facebook sobre Voto Distrital ou Voto Distrital Mixto ?



"Caro Antonio, caros amigos do grupo, trabalho com o conceito de governança soidária local, que promove ambientes de diálogo e cooperação entre poder público, iniciativa privada, organizações sociais e cidadãos e estimula o protagonismo nas comunidades locais, em busca de seus projetos de melhoria social e sonhos de futuro. Trata-se em verdade do desenvolvimento de uma cultura política de cooperação pelo bem comum ao invés da política como competição pelo poder por um grupo ou partido contra outro(s), como ocorre hoje. A partir dessa cultura política cidadã, é preciso também promover uma reforma da política tal como a temos praticado. Por isso, creio que o voto distrital deveria ser adotado para a eleição de vereador nas maiores cidades, porque precisamos de políticos locais comprometidos com cada região da cidade, que prestem contas de seus atos aos seus eleitores e para que estes possam cobrar coerência e comprometimento de seu representante distrital, sob pena de não mais ser eleito. O voto distrital poderia inicialmente ser implantado para a eleição de vereador nas cidades com mais de 300 mil eleitores e que já tem segundo turno. Se esta experiência desse certo, o voto distrital poderia ser extendido à eleição de deputados. O que acham?"

26 de novembro de 2010

A voz das cidades na agenda mundial

Ontem, tive a satisfação de ter publicado o meu artigo sobre o papel das cidades na luta contra o aquecimento global.