Veja no link http://my.barackobama.com/speakout a luta obstinada do Presidente Obama, dos Estados Unidos, pela aprovação da reforma do sistema de saúde do país. Esse pronunciamento que acabou de fazer em Ohio , perante centenas de pessoas, é uma demonstração impressionante da sua determinação, coragem e energia, ao lado de seu poder de comunicação e mobilização. Obama está voltado integralmente para superar os obstáculos impostos pelos conservadores e pelos interesses econômicos privilegiados das grandes companhias de seguro no sentido de barrar a aprovação de uma reforma da saúde que garanta um mínimo de proteção à saúde de mais de 40 milhões de norte-americanos que não tem e não dispõe de recursos para custear um seguro-saúde e que, por conta disso, acabam no mais das vezes perdendo a própria vida.
17 de março de 2010
9 de março de 2010
A Internet Como Foco de Políticas Públicas
Da Coluna Econômica de Luiz Nassif de hoje reproduzo essa iniciativa inovadora de uso democrático dos meios de comunicação para produzir conhecimento relevante, coletivo e compartilhado.
"Ontem estreei um projeto novo na TV Brasil (da Empresa Brasileira de Comunicação). Trata-se de uma tentativa de casar a linguagem da televisão com a Internet. O nome é Brasilianas.org.
Durante a semana, levanta-se um tema de política pública na TV – Defesa, comunicações, políticas sociais, economia do futebol etc. Depois, chama-se o telespectador para vir contribuir na Internet.
Ele entra, então, em um portal – que está sendo concluído -, assiste os vídeos, lê os trabalhos apresentados, dá sua opinião, traz novas informações, novos trabalhos. Há uma discussão e uma construção coletiva do conhecimento.
Depois, essa matéria prima bruta é lapidada e gera reportagens jornalísticas sintetizando os principais pontos da discussão.
***
O que está por trás disso é a revolução do conhecimento, que finalmente chega ao país através da Internet.
Antes dessa era, o conhecimento ficava restrito a grupos específicos, cada qual desenvolvendo suas ideias mas sem sair o mesmo circuito.
Hoje em dia o país tem uma estrutura de grupos de conhecimento de nação desenvolvida. É possível encontrar especialistas em economia, em mercado, em modelo ferroviário, em transporte intermodal, em inovação, tecnologia, universidade, ensino básico. É um processo fervilhante, que percorre a Internet através de listas de discussão, foruns, sites especializados.
***
Até agora, havia enorme dificuldade para que esse conhecimento alcançasse a opinião pública. Em parte, por falta de partidos políticos. Em países maduros, cada partido tem seu instituto pensando o novo, analisando cenários, novas ideias, projetos, visando apresentá-los aos eleitores nas campanhas eleitorais. Por aqui, os partidos não são programáticos.
***
Um segundo círculo de disseminação de conceito é a Universidade. No Brasil, elas não cumprem esse papel. Em geral, grupos acadêmicos seguram zelosamente seu conhecimento, porque é uma forma de poder: novas ideias permitem a grupos se imporem sobre outros grupos na mesma universidade ou em universidades concorrentes.
***
A terceira obstrução é a chamada grande mídia – que deveria focalizar grandes temas nacionais. Os jornais lutam contra as limitações de espaço para excesso de notícias. A disputa do leitor obriga a matérias curtas de apelo fácil. Na televisão aberta, a busca de audiência é um obstáculo a programas de conteúdo.
***
Resta, então, o caminho da Internet. O grande desafio consiste em captar as discussões, saber fazer as provocações adequadas e as sínteses corretas.
Esse modelo – que em breve se expandirá para todas as áreas – muda completamente o eixo político do país. Obriga a um grau de transparência inédito. Não haverá mais a figura dos governos providenciais, decidindo unilateralmente o que é bom para o país ou tomando a decisão grave sem maiores reflexões.
***
Um dos belos desafios da imprensa – especialmente a regional, que fala para públicos mais focados e menos abrangentes que a mídia nacional – será reproduzir essas instâncias de discussão em sua zona de atuação.
Através dessa teia, que está se erguendo em todo o país, haverá possibilidades inéditas de melhoria das políticas públicas – seja federais, estaduais ou municipais."
"Ontem estreei um projeto novo na TV Brasil (da Empresa Brasileira de Comunicação). Trata-se de uma tentativa de casar a linguagem da televisão com a Internet. O nome é Brasilianas.org.
Durante a semana, levanta-se um tema de política pública na TV – Defesa, comunicações, políticas sociais, economia do futebol etc. Depois, chama-se o telespectador para vir contribuir na Internet.
Ele entra, então, em um portal – que está sendo concluído -, assiste os vídeos, lê os trabalhos apresentados, dá sua opinião, traz novas informações, novos trabalhos. Há uma discussão e uma construção coletiva do conhecimento.
Depois, essa matéria prima bruta é lapidada e gera reportagens jornalísticas sintetizando os principais pontos da discussão.
***
O que está por trás disso é a revolução do conhecimento, que finalmente chega ao país através da Internet.
Antes dessa era, o conhecimento ficava restrito a grupos específicos, cada qual desenvolvendo suas ideias mas sem sair o mesmo circuito.
Hoje em dia o país tem uma estrutura de grupos de conhecimento de nação desenvolvida. É possível encontrar especialistas em economia, em mercado, em modelo ferroviário, em transporte intermodal, em inovação, tecnologia, universidade, ensino básico. É um processo fervilhante, que percorre a Internet através de listas de discussão, foruns, sites especializados.
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Até agora, havia enorme dificuldade para que esse conhecimento alcançasse a opinião pública. Em parte, por falta de partidos políticos. Em países maduros, cada partido tem seu instituto pensando o novo, analisando cenários, novas ideias, projetos, visando apresentá-los aos eleitores nas campanhas eleitorais. Por aqui, os partidos não são programáticos.
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Um segundo círculo de disseminação de conceito é a Universidade. No Brasil, elas não cumprem esse papel. Em geral, grupos acadêmicos seguram zelosamente seu conhecimento, porque é uma forma de poder: novas ideias permitem a grupos se imporem sobre outros grupos na mesma universidade ou em universidades concorrentes.
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A terceira obstrução é a chamada grande mídia – que deveria focalizar grandes temas nacionais. Os jornais lutam contra as limitações de espaço para excesso de notícias. A disputa do leitor obriga a matérias curtas de apelo fácil. Na televisão aberta, a busca de audiência é um obstáculo a programas de conteúdo.
***
Resta, então, o caminho da Internet. O grande desafio consiste em captar as discussões, saber fazer as provocações adequadas e as sínteses corretas.
Esse modelo – que em breve se expandirá para todas as áreas – muda completamente o eixo político do país. Obriga a um grau de transparência inédito. Não haverá mais a figura dos governos providenciais, decidindo unilateralmente o que é bom para o país ou tomando a decisão grave sem maiores reflexões.
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Um dos belos desafios da imprensa – especialmente a regional, que fala para públicos mais focados e menos abrangentes que a mídia nacional – será reproduzir essas instâncias de discussão em sua zona de atuação.
Através dessa teia, que está se erguendo em todo o país, haverá possibilidades inéditas de melhoria das políticas públicas – seja federais, estaduais ou municipais."
25 de fevereiro de 2010
Web e Democracia na Cidade
Apresento as notas que utilizei para proferir palestra na tarde de hoje em encontro promovido pela Unesco em Brasilia sobre o tema da Web e democracia.
“Como já vimos, os sistemas sociais vivos são redes auto-geradoras de comunicação”. Fritjof Capra
Primeira Parte:
As relações entre redes sociais, democracia e desenvolvimento
1. Redes sociais centralizadas estabelecem relações piramidais e hierárquicas e correspondem a uma prática política adversarial, de disputa pelo poder – situação típica da atual democracia representativa, dos partidos e do voto
2. Redes sociais distribuídas estabelecem relações horizontais e igualitárias e correspondem a uma prática política de diálogo, respeito à diferença, convivência, busca do entendimento entre as pessoas e cooperação, – ambiente típico da democracia como modo de vida comunitário, de resolução democrática de conflitos, essencialmente cooperativa, local, na base da sociedade e no cotidiano dos cidadãos (John Dewey)
3. Grau de centralização ou distribuição na rede social: quanto menos centralizada, ou mais distribuída a rede, maior é a interação e a comunicação entre as pessoas, mais intensa a vida democrática local
4. Quanto maior a comunicação e a democracia, mais consensual e sustentável o desenvolvimento das redes sociais locais, mais inclusiva a cidade.
5. Comunicação,cidadania e democracia: facilidades do governo eletrônico correspondem ao cidadão usuário e eleitor(prestação de serviços de boa qualidade, voto bem informado), governo provedor convencional, democracia representativa, de baixa intensidade; facilidades das plataformas colaborativas correspondem ao cidadão gestor ( co-produtor de serviços, co-produtor de informação, co-produtor da cidade), governança solidária local,democracia colaborativa, de alta intensidade;
6. O desafio com que nos defrontamos para promover cidades inclusivas tem, portanto, três dimensões:
primeiro, transitar de redes mais centralizadas para redes mais distribuídas; ou seja, de uma política menos democrática para uma política mais democrática;
segundo, ampliar o acesso e qualificar a informação que circula nas redes, de modo que todas as pessoas tenham a oportunidade de estar bem informadas; ( acesso à informação como direito humano fundamental, transparência, prestação de contas)
terceiro, facilitar a interação e a comunicação entre as pessoas promovendo a inclusão digital em plataformas colaborativas
6. Sociedade do conhecimento, da informação/comunicação: do capital físico e financeiro para o capital humano e o capital social como fatores propulsores do desenvolvimento. Do conhecimento acumulado para o conhecimento compartilhado. Confiança, diálogo, cooperação. Inteligência coletiva
7. Na análise do tema web e democracia na cidade está em jogo, portanto, qual a democracia e o desenvolvimento que estamos contribuindo para construir, ou seja, uma democracia e desenvolvimento inclusivo e sustentável ou uma democracia e desenvolvimento excludente e insustentável.
Segunda Parte:
Algumas experiências bem sucedidas de articulação e animação de redes sociais mais distribuídas, ou menos centralizadas, que utilizam tecnologias colaborativas como facilitadoras do desenvolvimento da rede social.
1. Experiências bem sucedidas: as decisões estratégicas e a sala de situação (informações geo-referenciadas e multisetoriais) ; http://www.ici.curitiba.org.br/
2. Experiências bem sucedidas: a gestão por programas e o portal de gestão(servidores empoderados e co-responsáveis); http://www.portoalegre.rs.gov.br/
3. Experiências bem sucedidas: a busca de consenso comunitário e o escritório de consulta pública ; http://www.ocpm.qc.ca/
4. Experiências bem sucedidas: as decisões críticas/polêmicas e a pesquisa deliberativa de Stanford; http://www.cdd.stanford.edu/
5. Experiências bem sucedidas: a gestão democrática e o ObservaPoa (decisões informadas e consistentes no orçamento participativo; projetos de desenvolvimento nas redes de governança solidária local); http://www.observapoa.com.br/
6. Experiências bem sucedidas: a campanha e o governo Obama e as redes sociais; http://www.moveon.org/ e http://www.organizingforamerica.org/
14 de fevereiro de 2010
Golpe na Democracia Norte-americana
“EUA: o melhor Congresso que o dinheiro pode comprar”, por Hazel Henderson*
A decisão radical da Suprema Corte dos EUA, em 21 de janeiro deste ano, permite às empresas gastarem dinheiro ilimitadamente na política.
A visão fantástica dessa mais alta Corte dos Estados Unidos defende que o dinheiro é equivalente à livre expressão sob a Primeira Emenda, e que a corporações são “pessoas” equivalentes a seres humanos. A irrealidade dessa visão também equipara corporações com sindicatos, sem reconhecer que sindicatos representam pessoas reais, enquanto corporações são entidades legais com o propósito de fazer dinheiro para seus acionistas.
Os efeitos dessa apertada decisão (por 5 a 4) na Suprema Corte incluem a permissão de acesso à política do país a vários investidores internacionais que detêm ações em corporações estadunidenses. Por exemplo, o Príncipe Alaweed bin Talal, da Arábia Saudita, é um dos maiores investidores do Citibank e da New Corporation, que possui o Wall Street Journal, a rede de televisão Fox, a Sky News e uma outra mídia global. Os fundos soberanos da Noruega, da China, de Cingapura, do Kuwait e de outros países podem agora influenciar a política dos EUA como jamais ocorreu antes.
Advogados constitucionalistas estão assombrados, inclusive o presidente Barack Obama, que observou: “A Suprema Corte deu luz verde para a avalanche de interesses especiais do dinheiro em nossa política. Essa é uma grande vitória do petróleo, dos banqueiros de Wall Street, das companhias de seguro de saúde e de outros interesses que manobram diariamente o poder em Washington e abafam, cotidianamente, as vozes dos americanos”.
Muitos projetos de lei foram apresentados no Congresso para passar por cima da decisão da Corte, a maior parte com foco no direito corporativo e na governança. Eles incluíram o reforço das regulações e o controle pela Securities and Exchange Comission (SEC), a comissão de valores mobiliários dos EUA. Tais projetos exigiriam a aprovação dos acionistas pelos conselhos diretores das corporações antes que elas liberassem seus fundos de ações para apoiar ou se opor a questões políticas e candidatos. Limitariam os gastos pelas corporações que sejam substancialmente de propriedade de grupos de investidores internacionais e cidadãos não-estadunidenses. Muitos críticos acrescentaram que os políticos cujas eleições se devem aos fundos corporativos deveriam ser convocados para tornar públicas as logomarcas dessas corporações em suas roupas e em todas as suas manifestações públicas – como o senador da Microsoft, da Halliburton, do Citibank ou do Goldman Sachs, por exemplo.
Outros críticos apresentaram detalhadamente a idiotice da equiparação entre corporações e seres humanos reais. Eles disseram: “Se isso é verdade, não seria uma forma de escravidão ter uma corporação?”. Então, poderiam as empresas agora também usar armas e votar? Corporações já têm muitos dos direitos de cidadania estadunidense, só que muito menos responsabilidades do que têm as pessoas reais. Corporações são protegidas por leis que limitam suas dívidas, desfrutam de vida perpétua e ainda carregam um poder imenso – evidenciado por sua captura dos reguladores e políticos.
Os insípidos debates no Fórum Econômico de Davos sobre a questão capitalismo versus socialismo foram suplantados pela conquista da democracia das empresas. Os lobistas das corporações dos grandes bancos estão lutando contra reformas financeiras necessárias. Lobistas de seguros de saúde e das companhias farmacêuticas conduziram os projetos da reforma da saúde para novas traições substanciais. Lobistas das companhias de energia distorceram os projetos sobre clima e energia, tornando-os novas frutas podres, em defesa do carro-chefe do combustível fóssil e das companhias de energia nuclear. Em todo o planeta, o lobby das corporações militares dirige a compra de armas.
À opinião absurda do juiz da Corte Suprema John Robert, de que as corporações são em vários aspectos “amordaçadas” ou de que necessitam de mais dos direitos garantidos na Primeira Emenda, somou-se a divergência do juiz Stevens, em nome dos juízes Ginsberg, Sotomayor e Breyer: “A democracia americana é imperfeita, mas poucos fora desta Corte teriam pensado que ela definha até a morte, com o dinheiro corporativo na política”.
De fato, um grupo de corporações dos EUA respondeu com uma carta aberta ao Congresso opondo-se à ameaça de tirar dinheiro dos candidatos de ambos os partidos políticos e optar pela destinação desse dinheiro para a corrida armamentista. Tomara que esse tipo de liderança socialmente responsável das companhias progressistas possa ser apoiada por investidores institucionais, como aqueles dos Princípios para o Investimento Responsável, da ONU (representando portfolios de US$ 19 trilhões em ações das companhias). Eles podem, junto com as 3.000 companhias signatárias do Pacto Global da ONU, desenvolver proteções para impedir o investimento nessas companhias que tomam as decisões da Suprema Corte como licença para jogar ainda mais dinheiro em lobbies e para arrancar o poder do processo democrático.
O efeito cascata do dinheiro adicional na política dos EUA e na propaganda acelerará a sinistra tomada do governo, bem como da mídia de massa, pelas corporações – a definição clássica de fascismo. Uma resposta é o Mercado Ético para a propaganda ética e a campanha do Mercado Ético com a World Business Academy (Academia Mundial de Negócios) para parar o neuromarketing e sua manipulação de consumidores.
Como essa conquista corporativa dos Estados Unidos da América afeta seu padrão de mundo? A ganância e a cultura da obsessão pelo dinheiro de Wall Street já danificaram todo o mundo e causaram milhões de vítimas inocentes da fome, das adversidades e da perda de empregos e meios de vida, e infligiu um enorme dano ambiental.
Essa decisão da Suprema Corte causará uma perda futura de critério e autoridade moral, no mundo. A arrogância do unilateralismo dos EUA vem causando danos desde a queda do Muro de Berlim. Esse momento unipolar acabou. Para sorte da comunidade internacional, outros países, como Índia, Brasil e os da União Européia, estão assumindo a liderança democrática. A irresponsável decisão da Suprema Corte dos EUA sobrepujou os esforços do presidente Barack Obama para restaurar o multilateralismo. Foi um golpe na democracia dos EUA e dá um mau exemplo ao avanço da democracia mundo afora.
* Hazel Henderson é presidente do Ethical Markets Media (EUA e Brasil) e da Green Transition Scoreboard, autora de vários livros e co-criadora dos Indicadores de Qualidade de Vida Calvert-Henderson. É também membro do Conselho Internacional do Instituto Ethos.
Texto publicado originalmente no site Carta Maior, com tradução de Katarina Peixoto.
A decisão radical da Suprema Corte dos EUA, em 21 de janeiro deste ano, permite às empresas gastarem dinheiro ilimitadamente na política.
A visão fantástica dessa mais alta Corte dos Estados Unidos defende que o dinheiro é equivalente à livre expressão sob a Primeira Emenda, e que a corporações são “pessoas” equivalentes a seres humanos. A irrealidade dessa visão também equipara corporações com sindicatos, sem reconhecer que sindicatos representam pessoas reais, enquanto corporações são entidades legais com o propósito de fazer dinheiro para seus acionistas.
Os efeitos dessa apertada decisão (por 5 a 4) na Suprema Corte incluem a permissão de acesso à política do país a vários investidores internacionais que detêm ações em corporações estadunidenses. Por exemplo, o Príncipe Alaweed bin Talal, da Arábia Saudita, é um dos maiores investidores do Citibank e da New Corporation, que possui o Wall Street Journal, a rede de televisão Fox, a Sky News e uma outra mídia global. Os fundos soberanos da Noruega, da China, de Cingapura, do Kuwait e de outros países podem agora influenciar a política dos EUA como jamais ocorreu antes.
Advogados constitucionalistas estão assombrados, inclusive o presidente Barack Obama, que observou: “A Suprema Corte deu luz verde para a avalanche de interesses especiais do dinheiro em nossa política. Essa é uma grande vitória do petróleo, dos banqueiros de Wall Street, das companhias de seguro de saúde e de outros interesses que manobram diariamente o poder em Washington e abafam, cotidianamente, as vozes dos americanos”.
Muitos projetos de lei foram apresentados no Congresso para passar por cima da decisão da Corte, a maior parte com foco no direito corporativo e na governança. Eles incluíram o reforço das regulações e o controle pela Securities and Exchange Comission (SEC), a comissão de valores mobiliários dos EUA. Tais projetos exigiriam a aprovação dos acionistas pelos conselhos diretores das corporações antes que elas liberassem seus fundos de ações para apoiar ou se opor a questões políticas e candidatos. Limitariam os gastos pelas corporações que sejam substancialmente de propriedade de grupos de investidores internacionais e cidadãos não-estadunidenses. Muitos críticos acrescentaram que os políticos cujas eleições se devem aos fundos corporativos deveriam ser convocados para tornar públicas as logomarcas dessas corporações em suas roupas e em todas as suas manifestações públicas – como o senador da Microsoft, da Halliburton, do Citibank ou do Goldman Sachs, por exemplo.
Outros críticos apresentaram detalhadamente a idiotice da equiparação entre corporações e seres humanos reais. Eles disseram: “Se isso é verdade, não seria uma forma de escravidão ter uma corporação?”. Então, poderiam as empresas agora também usar armas e votar? Corporações já têm muitos dos direitos de cidadania estadunidense, só que muito menos responsabilidades do que têm as pessoas reais. Corporações são protegidas por leis que limitam suas dívidas, desfrutam de vida perpétua e ainda carregam um poder imenso – evidenciado por sua captura dos reguladores e políticos.
Os insípidos debates no Fórum Econômico de Davos sobre a questão capitalismo versus socialismo foram suplantados pela conquista da democracia das empresas. Os lobistas das corporações dos grandes bancos estão lutando contra reformas financeiras necessárias. Lobistas de seguros de saúde e das companhias farmacêuticas conduziram os projetos da reforma da saúde para novas traições substanciais. Lobistas das companhias de energia distorceram os projetos sobre clima e energia, tornando-os novas frutas podres, em defesa do carro-chefe do combustível fóssil e das companhias de energia nuclear. Em todo o planeta, o lobby das corporações militares dirige a compra de armas.
À opinião absurda do juiz da Corte Suprema John Robert, de que as corporações são em vários aspectos “amordaçadas” ou de que necessitam de mais dos direitos garantidos na Primeira Emenda, somou-se a divergência do juiz Stevens, em nome dos juízes Ginsberg, Sotomayor e Breyer: “A democracia americana é imperfeita, mas poucos fora desta Corte teriam pensado que ela definha até a morte, com o dinheiro corporativo na política”.
De fato, um grupo de corporações dos EUA respondeu com uma carta aberta ao Congresso opondo-se à ameaça de tirar dinheiro dos candidatos de ambos os partidos políticos e optar pela destinação desse dinheiro para a corrida armamentista. Tomara que esse tipo de liderança socialmente responsável das companhias progressistas possa ser apoiada por investidores institucionais, como aqueles dos Princípios para o Investimento Responsável, da ONU (representando portfolios de US$ 19 trilhões em ações das companhias). Eles podem, junto com as 3.000 companhias signatárias do Pacto Global da ONU, desenvolver proteções para impedir o investimento nessas companhias que tomam as decisões da Suprema Corte como licença para jogar ainda mais dinheiro em lobbies e para arrancar o poder do processo democrático.
O efeito cascata do dinheiro adicional na política dos EUA e na propaganda acelerará a sinistra tomada do governo, bem como da mídia de massa, pelas corporações – a definição clássica de fascismo. Uma resposta é o Mercado Ético para a propaganda ética e a campanha do Mercado Ético com a World Business Academy (Academia Mundial de Negócios) para parar o neuromarketing e sua manipulação de consumidores.
Como essa conquista corporativa dos Estados Unidos da América afeta seu padrão de mundo? A ganância e a cultura da obsessão pelo dinheiro de Wall Street já danificaram todo o mundo e causaram milhões de vítimas inocentes da fome, das adversidades e da perda de empregos e meios de vida, e infligiu um enorme dano ambiental.
Essa decisão da Suprema Corte causará uma perda futura de critério e autoridade moral, no mundo. A arrogância do unilateralismo dos EUA vem causando danos desde a queda do Muro de Berlim. Esse momento unipolar acabou. Para sorte da comunidade internacional, outros países, como Índia, Brasil e os da União Européia, estão assumindo a liderança democrática. A irresponsável decisão da Suprema Corte dos EUA sobrepujou os esforços do presidente Barack Obama para restaurar o multilateralismo. Foi um golpe na democracia dos EUA e dá um mau exemplo ao avanço da democracia mundo afora.
* Hazel Henderson é presidente do Ethical Markets Media (EUA e Brasil) e da Green Transition Scoreboard, autora de vários livros e co-criadora dos Indicadores de Qualidade de Vida Calvert-Henderson. É também membro do Conselho Internacional do Instituto Ethos.
Texto publicado originalmente no site Carta Maior, com tradução de Katarina Peixoto.
13 de fevereiro de 2010
29 de janeiro de 2010
A Nova Opinião Pública
Reproduzo a análise divulgada pela Agência Dinheiro Vivo de Luiz Nassif sobre o Campus Party, encontro internacional de blogueiros que se realiza nestes dias em São Paulo.
O Campus Party e a Nova Opinião Pública
O ambiente é caótico. Do lado de fora do galpão cerca de 2 mil blogueiros montaram acampamento. Dentro, em uma imensa área aberta, milhares de pessoas se organizam espontaneamente em um ambiente caótico. Nele, há cinco mesas-redondas simultâneas,nos diversos pontos da área, games gigantes, mesas com centenas de internautas ligados por banda larga.
Há de tudo. Figuras folclóricas da blogosfera, grandes marcas globais de aparelhos tecnológicos, uns rapazinhos que montaram um orelhão telefônico que fala pela Internet, dirigíveis sendo movidos a controle remoto.
Trata-se do Campus Party, um evento que surgiu há dez anos na Espanha – apoiado pela Telefonica – e há três anos se realiza no Brasil. É um enorme encontro de geeks, de uma rapaziada que gosta de vestir bermudas e bonés, nasceu no ambiente tecnológico, abomina regras sociais, cultiva ao mesmo tempo o individualismo e o trabalho em grupos, em redes.
***
A inauguração contou com o governador de São Paulo José Serra. Hoje, com a Ministra-Chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.
A presença de futuros candidatos à presidência da República não é mera coincidência ou extravagância. Mas o reconhecimento da influência cada vez maior da comunidade da mídia digital.
Nos próximos anos, essa comunidade meio dispersa, meio inorgânica, começará a se articular de forma mais consistente e passará a ter influência política. Poderá se contrapor às pressões das emissoras de TV aberta, defendendo as cotas para a animação nacional, por exemplo. Poderá se articular pressionando o Congresso na defesa de teses de seu interesse.
***
Esse mesmo processo está se dando com movimentos sociais por todas as partes do país. Muitas dessas manifestações têm se dado através das diversas conferências nacionais – de Comunicação, de Cultura, de Direitos Humanos etc.
***
Alguns setores vêem com receio esses movimentos, como se o país de repente pudesse mergulhar em uma fase de caos político, similar ao pré-1964 no Brasil ou aos anos 30 na Europa.
Trata-se de um pessimismo injustificável. A Internet e a modernização do país está permitindo, de forma pacífica, a incorporação de novos grupos ao jogo político. Não há garantia maior de institucionalização da democracia do que esse método de incorporação política. A alternativa seriam os conflitos sociais, os confrontos que permitissem abrir espaço na pancada.
***
Nos próximos anos, se verá o desabrochar de um jogo democrático inédito no país. Até algum tempo atrás, a grande mídia – meia dúzia de jornais no eixo Rio-São Paulo-Brasilia, uma ou outra emissora de TV – controlavam o debate político. Só se tornava fato político o que passasse por ela.
Com isso, ficavam de fora do jogo político os interesses das cidades do interior, do agronegócios e da agricultura familiar, da indústria nacional e da pequena e micro empresa.
A ampliação dos blogs e sites mudará completamente esse jogo. A partir de agora, não haverá mais donos da política – nem grandes jornais nem partidos políticos. Os próximos anos exigirão dos governantes, cada vez mais, a capacidade de negociar e de prestar contas de seus atos.
O ambiente é caótico. Do lado de fora do galpão cerca de 2 mil blogueiros montaram acampamento. Dentro, em uma imensa área aberta, milhares de pessoas se organizam espontaneamente em um ambiente caótico. Nele, há cinco mesas-redondas simultâneas,nos diversos pontos da área, games gigantes, mesas com centenas de internautas ligados por banda larga.
Há de tudo. Figuras folclóricas da blogosfera, grandes marcas globais de aparelhos tecnológicos, uns rapazinhos que montaram um orelhão telefônico que fala pela Internet, dirigíveis sendo movidos a controle remoto.
Trata-se do Campus Party, um evento que surgiu há dez anos na Espanha – apoiado pela Telefonica – e há três anos se realiza no Brasil. É um enorme encontro de geeks, de uma rapaziada que gosta de vestir bermudas e bonés, nasceu no ambiente tecnológico, abomina regras sociais, cultiva ao mesmo tempo o individualismo e o trabalho em grupos, em redes.
***
A inauguração contou com o governador de São Paulo José Serra. Hoje, com a Ministra-Chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.
A presença de futuros candidatos à presidência da República não é mera coincidência ou extravagância. Mas o reconhecimento da influência cada vez maior da comunidade da mídia digital.
Nos próximos anos, essa comunidade meio dispersa, meio inorgânica, começará a se articular de forma mais consistente e passará a ter influência política. Poderá se contrapor às pressões das emissoras de TV aberta, defendendo as cotas para a animação nacional, por exemplo. Poderá se articular pressionando o Congresso na defesa de teses de seu interesse.
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Esse mesmo processo está se dando com movimentos sociais por todas as partes do país. Muitas dessas manifestações têm se dado através das diversas conferências nacionais – de Comunicação, de Cultura, de Direitos Humanos etc.
***
Alguns setores vêem com receio esses movimentos, como se o país de repente pudesse mergulhar em uma fase de caos político, similar ao pré-1964 no Brasil ou aos anos 30 na Europa.
Trata-se de um pessimismo injustificável. A Internet e a modernização do país está permitindo, de forma pacífica, a incorporação de novos grupos ao jogo político. Não há garantia maior de institucionalização da democracia do que esse método de incorporação política. A alternativa seriam os conflitos sociais, os confrontos que permitissem abrir espaço na pancada.
***
Nos próximos anos, se verá o desabrochar de um jogo democrático inédito no país. Até algum tempo atrás, a grande mídia – meia dúzia de jornais no eixo Rio-São Paulo-Brasilia, uma ou outra emissora de TV – controlavam o debate político. Só se tornava fato político o que passasse por ela.
Com isso, ficavam de fora do jogo político os interesses das cidades do interior, do agronegócios e da agricultura familiar, da indústria nacional e da pequena e micro empresa.
A ampliação dos blogs e sites mudará completamente esse jogo. A partir de agora, não haverá mais donos da política – nem grandes jornais nem partidos políticos. Os próximos anos exigirão dos governantes, cada vez mais, a capacidade de negociar e de prestar contas de seus atos.
19 de janeiro de 2010
TSE poderá autorizar doações por cartão e internet
A esperança de uma brecha para nosso país poder praticar uma nova política vem do TSE, já que os políticos atuais tem sistematicamente se omitido ou tornado ainda menos transparente o financiamento de campanhas, como ocorreu com as doações ocultas.
Quem quiser doar dinheiro para campanhas eleitorais neste ano poderá ser autorizado a fazê-lo por meio de cartão de crédito e pela internet. A novidade está prevista numa minuta de resolução divulgada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Outra minuta tentará reprimir as doações que não permitem a identificação dos candidatos beneficiados e que são conhecidas como doações ocultas.
Relator das instruções voltadas para as eleições de 2010, o ministro Arnaldo Versiani decidiu discutir as minutas em audiências públicas no início de fevereiro. Posteriormente, os textos deverão ser aprovados pelos ministros do TSE. Todas as instruções têm de ser aprovadas até 5 de março. O primeiro turno da eleição está marcado para 3 de outubro, e o segundo, para 31 de outubro.
Na resolução sobre o uso de cartões de crédito, o TSE deve especificar que esse tipo de doação só poderá ser feito por pessoas físicas. Deverão ser proibidas as doações por meio de cartões de empresas e de órgãos da administração públicas, além dos cartões emitidos no exterior. Haverá um limite para o valor que poderá ser doado: 10% dos rendimentos brutos recebidos pela pessoa no ano anterior à eleição.
De acordo com a resolução que tenta impedir as doações ocultas, os partidos deverão especificar a origem dos recursos repassados aos candidatos. Nas eleições anteriores, os doadores repassavam valores aos partidos, e não eram identificados os candidatos que seriam beneficiados. E os partidos distribuíam o dinheiro sem divulgar a fonte.
Pela resolução, partidos e candidatos poderão receber recursos de pessoas físicas, jurídicas, do Fundo Partidário, de outros candidatos, comitês financeiros ou partidos políticos e dinheiro decorrente da comercialização de bens ou realização de eventos. O limite de doação para as pessoas jurídicas é de 2% do faturamento bruto do ano anterior à eleição.
Quem quiser se candidatar, mas estiver respondendo a processo criminal na Justiça terá de apresentar certidões com detalhes atualizados de cada uma das ações. Pela resolução, os pedidos de registro de candidaturas devem ser solicitados pelos partidos e coligações até o dia 5 de julho.
FONTE: Agencia Estado (Mariângela Gallucci )
19 de dezembro de 2009
O Poder Da Comunicação Virtual Personalizada
Compartilho com meus amigos e amigas a melhor mensagem de Boas Festas que recebi até agora, pela sua criatividade, pelo seu poder de comunicação personalizado. Não poderia partir de outra origem que não um dos movimentos que melhor utilizam a interatividade da internet, que é o movimento social que elegeu Obama. O Organizing for America hoje mobiliza a sociedade dos Estados Unidos em favor das mudanças propostas pelo governo Obama. Deixo no original em inglês para preservar sua autenticidade. Vale a pena clicar e ver! E, se quizer, pode fazer o mesmo para seus amigos e amigas.
Cezar --
You've been an incredible part of this movement this year. So some volunteers got together and helped us make a holiday video, just for you, Cezar Busatto.
You can watch it here:
http://my.barackobama.com/holiday
It was a blast making it. Enjoy!
Happy holidays,
Mitch and the entire OFA community
You've been an incredible part of this movement this year. So some volunteers got together and helped us make a holiday video, just for you, Cezar Busatto.
You can watch it here:
http://my.barackobama.com/holiday
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Happy holidays,
Mitch and the entire OFA community
Marcadores:
Eleições Americanas,
Governança,
Política,
Responsabilidade Social
14 de dezembro de 2009
Cooperação Poder Público Local e Universidade
Parece exagero o que afirma o cabeçalho da informação, mas não é. Nunca antes na história de mais de meio século um Prefeito Municipal acompanhado de seu secretariado visitou o CCSH da UFSM, que reune 14 faculdades. O que por si só demonstra o abismo que tem separado estas duas instituições fundamentais para o desenvolvimento de uma cidade, no caso Santa Maria. Mas essa realidade de distanciamento entre o saber e a pesquisa acadêmica e a formulação e implementação de políticas públicas locais é muito comum em nosso país. Essa aproximação é com certeza um dos caminhos que precisa ser trilhado para termos um poder público mais inteligente, por um lado, e por outro uma universidade mais comprometida com o desenvolvimento local. Construir formas criativas e eficazes de articulação entre essas duas instancias institucionais e seus membros é um dos temas relevantes do que chamo governança da cidade.
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