29 de janeiro de 2010

A Nova Opinião Pública


Reproduzo a análise divulgada pela Agência Dinheiro Vivo de Luiz Nassif sobre o Campus Party, encontro internacional de blogueiros que se realiza nestes dias em São Paulo.


O Campus Party e a Nova Opinião Pública

O ambiente é caótico. Do lado de fora do galpão cerca de 2 mil blogueiros montaram acampamento. Dentro, em uma imensa área aberta, milhares de pessoas se organizam espontaneamente em um ambiente caótico. Nele, há cinco mesas-redondas simultâneas,nos diversos pontos da área, games gigantes, mesas com centenas de internautas ligados por banda larga.

Há de tudo. Figuras folclóricas da blogosfera, grandes marcas globais de aparelhos tecnológicos, uns rapazinhos que montaram um orelhão telefônico que fala pela Internet, dirigíveis sendo movidos a controle remoto.

Trata-se do Campus Party, um evento que surgiu há dez anos na Espanha – apoiado pela Telefonica – e há três anos se realiza no Brasil. É um enorme encontro de geeks, de uma rapaziada que gosta de vestir bermudas e bonés, nasceu no ambiente tecnológico, abomina regras sociais, cultiva ao mesmo tempo o individualismo e o trabalho em grupos, em redes.

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A inauguração contou com o governador de São Paulo José Serra. Hoje, com a Ministra-Chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.

A presença de futuros candidatos à presidência da República não é mera coincidência ou extravagância. Mas o reconhecimento da influência cada vez maior da comunidade da mídia digital.

Nos próximos anos, essa comunidade meio dispersa, meio inorgânica, começará a se articular de forma mais consistente e passará a ter influência política. Poderá se contrapor às pressões das emissoras de TV aberta, defendendo as cotas para a animação nacional, por exemplo. Poderá se articular pressionando o Congresso na defesa de teses de seu interesse.

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Esse mesmo processo está se dando com movimentos sociais por todas as partes do país. Muitas dessas manifestações têm se dado através das diversas conferências nacionais – de Comunicação, de Cultura, de Direitos Humanos etc.

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Alguns setores vêem com receio esses movimentos, como se o país de repente pudesse mergulhar em uma fase de caos político, similar ao pré-1964 no Brasil ou aos anos 30 na Europa.

Trata-se de um pessimismo injustificável. A Internet e a modernização do país está permitindo, de forma pacífica, a incorporação de novos grupos ao jogo político. Não há garantia maior de institucionalização da democracia do que esse método de incorporação política. A alternativa seriam os conflitos sociais, os confrontos que permitissem abrir espaço na pancada.

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Nos próximos anos, se verá o desabrochar de um jogo democrático inédito no país. Até algum tempo atrás, a grande mídia – meia dúzia de jornais no eixo Rio-São Paulo-Brasilia, uma ou outra emissora de TV – controlavam o debate político. Só se tornava fato político o que passasse por ela.

Com isso, ficavam de fora do jogo político os interesses das cidades do interior, do agronegócios e da agricultura familiar, da indústria nacional e da pequena e micro empresa.

A ampliação dos blogs e sites mudará completamente esse jogo. A partir de agora, não haverá mais donos da política – nem grandes jornais nem partidos políticos. Os próximos anos exigirão dos governantes, cada vez mais, a capacidade de negociar e de prestar contas de seus atos.

25 de janeiro de 2010

19 de janeiro de 2010

TSE poderá autorizar doações por cartão e internet


A esperança de uma brecha para nosso país poder praticar uma nova política vem do TSE, já que os políticos atuais tem sistematicamente se omitido ou tornado ainda menos transparente o financiamento de campanhas, como ocorreu com as doações ocultas.

Quem quiser doar dinheiro para campanhas eleitorais neste ano poderá ser autorizado a fazê-lo por meio de cartão de crédito e pela internet. A novidade está prevista numa minuta de resolução divulgada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Outra minuta tentará reprimir as doações que não permitem a identificação dos candidatos beneficiados e que são conhecidas como doações ocultas.

Relator das instruções voltadas para as eleições de 2010, o ministro Arnaldo Versiani decidiu discutir as minutas em audiências públicas no início de fevereiro. Posteriormente, os textos deverão ser aprovados pelos ministros do TSE. Todas as instruções têm de ser aprovadas até 5 de março. O primeiro turno da eleição está marcado para 3 de outubro, e o segundo, para 31 de outubro.

Na resolução sobre o uso de cartões de crédito, o TSE deve especificar que esse tipo de doação só poderá ser feito por pessoas físicas. Deverão ser proibidas as doações por meio de cartões de empresas e de órgãos da administração públicas, além dos cartões emitidos no exterior. Haverá um limite para o valor que poderá ser doado: 10% dos rendimentos brutos recebidos pela pessoa no ano anterior à eleição.

De acordo com a resolução que tenta impedir as doações ocultas, os partidos deverão especificar a origem dos recursos repassados aos candidatos. Nas eleições anteriores, os doadores repassavam valores aos partidos, e não eram identificados os candidatos que seriam beneficiados. E os partidos distribuíam o dinheiro sem divulgar a fonte.

Pela resolução, partidos e candidatos poderão receber recursos de pessoas físicas, jurídicas, do Fundo Partidário, de outros candidatos, comitês financeiros ou partidos políticos e dinheiro decorrente da comercialização de bens ou realização de eventos. O limite de doação para as pessoas jurídicas é de 2% do faturamento bruto do ano anterior à eleição.

Quem quiser se candidatar, mas estiver respondendo a processo criminal na Justiça terá de apresentar certidões com detalhes atualizados de cada uma das ações. Pela resolução, os pedidos de registro de candidaturas devem ser solicitados pelos partidos e coligações até o dia 5 de julho.

FONTE: Agencia Estado (Mariângela Gallucci )

19 de dezembro de 2009

O Poder Da Comunicação Virtual Personalizada

Compartilho com meus amigos e amigas a melhor mensagem de Boas Festas que recebi até agora, pela sua criatividade, pelo seu poder de comunicação personalizado. Não poderia partir de outra origem que não um dos movimentos que melhor utilizam a interatividade da internet, que é o movimento social que elegeu Obama. O Organizing for America hoje mobiliza a sociedade dos Estados Unidos em favor das mudanças propostas pelo governo Obama. Deixo no original em inglês para preservar sua autenticidade. Vale a pena clicar e ver! E, se quizer, pode fazer o mesmo para seus amigos e amigas.
Cezar --

You've been an incredible part of this movement this year. So some volunteers got together and helped us make a holiday video, just for you, Cezar Busatto.

You can watch it here:

http://my.barackobama.com/holiday

It was a blast making it. Enjoy!

Happy holidays,

Mitch and the entire OFA community

14 de dezembro de 2009

Cooperação Poder Público Local e Universidade

Pela primeira vez na sua história, o Centro de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Federal de Santa Maria - UFSM registrou, na manhã desta segunda-feira (14/12), um encontro onde a Prefeitura tomou a iniciativa em procurar a instituição e formalizar sua proposta em buscar, na Universidade Federal, o conhecimento e a experiência de que a administração pública se ressente e que necessita para colocar a serviço da comunidade. O encontro, que deverá resultar na assinatura de um Protocolo de Intenções entre o CCSH e o Governo Municipal, ocorreu durante a Reunião do Conselho do Centro Universitário, junto ao Auditório do prédio da Antiga Reitoria (Rua Floriano Peixoto, 1184), a qual foi prestigiada pelo Prefeito Cezar Schirmer e seu secretariado. Após o encontro no Auditório, a comitiva da Prefeitura foi recebida na Secretaria do CCSH pelos professores Rogério Ferrer Koff e Mauri Leodir Löbler, respectivamente, Diretor e Vice-Diretor do Centro.
Parece exagero o que afirma o cabeçalho da informação, mas não é. Nunca antes na história de mais de meio século um Prefeito Municipal acompanhado de seu secretariado visitou o CCSH da UFSM, que reune 14 faculdades. O que por si só demonstra o abismo que tem separado estas duas instituições fundamentais para o desenvolvimento de uma cidade, no caso Santa Maria. Mas essa realidade de distanciamento entre o saber e a pesquisa acadêmica e a formulação e implementação de políticas públicas locais é muito comum em nosso país. Essa aproximação é com certeza um dos caminhos que precisa ser trilhado para termos um poder público mais inteligente, por um lado, e por outro uma universidade mais comprometida com o desenvolvimento local. Construir formas criativas e eficazes de articulação entre essas duas instancias institucionais e seus membros é um dos temas relevantes do que chamo governança da cidade.

10 de dezembro de 2009

Tecendo na Rede um Futuro Melhor para o Planeta







O mapa abaixo mostra pessoas ,empresas e instituições que estão tecendo na rede um futuro melhor para o nosso planeta. Conecte-se com eles. Veja o que elas estão dizendo. Clique aqui e leve esta ação para o seu site. The Map below shows people, companies and institutions that are weaving, with the Internet, a better furture for our planet. Connect with them. Listen to what they are saying.Click here and Take this action tou your website.
CLIQUE AQUI E SE CONECTE A ESTE MAPA / CLICK HERE AND CONNECT TO THE MAP



CLICK HERE AND GET FULL EMBED CODE:



4 de dezembro de 2009

A Corrupção Intrínseca do Modelo Político

Reproduzo, pela sua relevância, o artigo de Luiz Nassif, publicado em http://www.luisnassif.com.br/ no dia de hoje, 04/12/2009.


Os episódio envolvendo o governador do Distrito Federal José Roberto Arruda (DEM) completa o quadro da política brasileira.

Arruda era um dos mais cotados para vice-presidente da chapa de José Serra. As empresas flagradas pela Polícia Federal com esquemas pesados de propina atuaram, antes, na Prefeitura de São Paulo, através da Secretaria da Saúde – que no mesmo período (gestão Serra) terceirizou os serviços de radiologia para uma empresa sem tradição no ramo. Sem licitação.

Significa que o governo federal é diferente do governo do DF ou de São Paulo? Não, em absoluto. Significa que, no modelo político atual, todos são iguais.

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Nos últimos anos, o jogo de financiamento de caixa 2 concentrou-se na área de serviços. Ainda há esquemas pesados nas obras físicas, entre as empreiteiras. Os Tribunais de Contas – especialmente o da União - , no entanto, desenvolveram metodologias aprimoradas para cercar os preços das obras físicas.

A corrupção enveredou, então, pela área de serviços e de sistemas – onde há grande dose de capital intelectual, de difícil aferição.

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O jogo é curioso e repete, no inverso, o que ocorria antes da chegada do PT ao poder. Quem estava no Executivo – governo FHC – conseguia o financiamento de campanha em grandes contratos públicos ou nos programas de privatização. Ao PT restava os contratos com empresas de serviço municipais – lixo, ônibus etc.

Com o PT no poder, inverteu-se o jogo. O governo federal controla os grandes contratos e a oposição teve que partir para contratos miúdos que até agora só não merecem manchetes escandalosas por conta da blindagem proporcionada pela grande mídia.

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O modelo de corrupção é simples. A figura central desse jogo é o que se poderia batizar de empreendedor de jogadas. É o sujeito que aprende como operar com o setor público e bancar as propinas políticas deixando o mínimo de rastro. Cada partido, em geral, trabalha com seus próprios operadores.

Depois, o know-how acumulado em um estado é exportado para estados vizinhos de governadores aliados.

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As empresas envolvidas no escândalo da merenda escolar da Prefeitura de São Paulo, por exemplo, aparecem no governo Yeda Crusius. A CTIS, empresa de aluguel de equipamentos de informática, surgiu em Brasília no governo passado. Hoje em dia, leva a maioria dos contratos de São Paulo.

O mesmo aconteceu com a Positivo, que se transformou no maior montador de computadores do país graças aos contratos com a área pública. Em São Paulo, a Secretaria da Educação adquiriu notebooks Positivo para venda aos professores – com sistema Office incluído. Os preços não eram muito diferentes dos de varejo, adquiridos individualmente.

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Nas áreas de limpeza e de terceirização de mão-de-obra estão dentre as prediletas para jogadas. Cada partido tem as empresas afilhadas cuja atuação, muitas vezes, é exportada para estados de aliados.

No caso de terceirização, por exemplo, a empresa que domina os contratos de São Paulo é a Tejofran. Em Brasilia, a Capital Federal.

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Só que a tendência é tudo isso virar escândalo. O que obrigará, em breve, a mudanças no modelo político.

2 de dezembro de 2009

Articulação e Animação de Redes

Confira abaixo as ideias priorizadas em cada tema debatido nas Oficinas do I Congresso da Rede de Participação Política, ocorrido em Curitiba nesta segunda e terça-feira, dias 30 de novembro e 1 de dezembro.

ARTICULAÇÃO E ANIMAÇÃO DE REDES

• Como eu vou participar da articulação e animação de uma rede de ação política na minha localidade e no meu círculo de relacionamento?

- Realizar reuniões com as pessoas e saber o interesse de cada um e sua disponibilidade para então formar uma rede.

- Informar as pessoas sobre rede, através da comunicação dos grupos em que atuam, usando o efeito dominó para mobilizar o máximo de pessoas possível.

- Fortalecer as redes sociais, envolvendo a comunidade, as escolas e a universidade na formação de educadores e outros profissionais.

PROTAGONISMO POLÍTICO

• Como eu vou desenvolver as minhas capacidades para atuar politicamente?

- Motivação, envolvimento, comprometimento como agente transformador. Exercer a cidadania.

- Transparência – Acesso a informação com transparência

Conhecer os sistemas políticos e ter visão da realidade.

GESTÃO PÚBLICA

• Como eu vou contribuir para melhorar o desempenho da administração pública?

- Incluir novamente no currículo escolar fundamental e médio a disciplina de educação política e cidadania.

- Criar e fortalecer os conselhos municipais de serviços públicos e fóruns para que sejam deliberativos promovendo a educação dos conselheiros e a participação de profissionais especialistas por área.

- Propor ampla reforma política/eleitoral com ênfase no voto distrital e na separação no poder econômico do poder político, propiciando que as grandes e boas idéias vençam os grandes captadores de recursos.

ELEIÇÕES 2010

• Como eu vou influenciar os eleitores para que votem de forma consciente?

- Conscientização do poder do voto, através de campanhas que estimulem a participação do jovem com grupos de estudos de política na escola.

- Conhecer o perfil político e pessoal dos candidatos através de ações comunitárias, sites, TV, rádio, jornal, associação de bairros entre outros.

- Incentivar os eleitores que pensem na renovação dos candidatos.

COMUNICAÇÃO

• Como vou identificar e conhecer as pessoas da minha localidade e nelas despertar o interesse por temas políticos?

- Ir ao encontro das pessoas, (porta a porta)

- Fortalecimento da educação política nas escolas

- Pequenos eventos com lideranças locais em espaços públicos.

EDUCAÇÃO POLÍTICA

• Como eu vou contribuir para a melhoria dos costumes políticos da minha comunidade?

• Educação política nas escolas

• Voto não obrigatório

• Fomentar participação de crianças e jovens para o fortalecimento da cultura política local.

INFLUÊNCIA POLÍTICA

• Como vamos nos converter em uma voz clara e consciente para influir decisivamente no comportamento da classe política e do poder público?

- Criar propostas/projetos que representem as demandas dos setores, comprometendo políticos com as propostas.

- Fiscalizar as ações públicas participando das sessões da câmara e audiências públicas, atuando, intervindo, comunicando, agregando e compartilhando nos espaços de direito da cidadania. (Voto distrital.)

- Desenvolver jornal para revelar as “máscaras”.

27 de novembro de 2009

Atitudes Que Transformam

Você sabe o que é comemorado no dia 5 de dezembro? É o "Dia Internacional do Voluntário", instituído pela ONU, em 1985.

Ser Voluntário é uma Atitude que proporciona muito prazer e para isso você precisa disponibilizar um tempo de sua agenda, seus conhecimentos e muito de suas emoções!

Na primeira semana de dezembro, a ONG Parceiros Voluntários e diversos centros de voluntariado de todo o país promovem a Semana Brasil Voluntário, com o tema “O Planeta é Voluntário”. Mobilize seus familiares, amigos, colegas, vizinhos e promova ações que sejam em prol do bem comum. Pesquise o que poderá ser feito em seu bairro, em sua rua, em escolas, em creches, asilos, em praças, enfim, sua criatividade é grande e o seu espírito de colaboração também!

Você se sentirá muito feliz em participar de ações transformadoras e a nossa comunidade ficará muito agradecida!

Para darmos visibilidade ao grande mutirão e assim contagiarmos outros com nossas Atitudes de Solidariedade e Voluntariado, envie suas sugestões e depoimentos para o email




ou envie pelo Twitter #sbrasilvoluntario2009 para contar o que está fazendo e onde está participando.

Veja ações que estão sendo feitas na sua cidade e veja como você pode contribuir com o Planeta.

Ao somar esforços, milhares de ações isoladas ganham força, sendo capazes de redesenhar histórias de vidas e traçar caminhos novos.

Participe, a sua atitude pode transformar a vida de muita gente!
Siga a Parceiros Voluntários


Ficou com dúvidas?
Veja as perguntas mais frequentes ou envie uma mensagem para a gente.

Você também pode entrar em contato coma ONG Parceiros Voluntários pelo telefone:
+ 55 (51) 2101.9797
Ou encontre a sede mais próxima de você.
Participe
Venha você também para o Movimento do Voluntariado Organizado do Rio Grande do Sul.


ONG Parceiros Voluntários - Largo Visconde do Cairú, 17 - 8º andar. Centro - Porto Alegre RS Brasil

20 de novembro de 2009

Uma Nova Política é Possível

Reproduzo, pela relevância, artigo de autoria do presidente da FIEP, Rodrigo da Rocha Loures, publicado na Gazeta do Povo em 16/11/2009 e divulgado no site da Rede de Participação Política do Empresariado.


Uma nova política é possível

A nova política possível é uma política pública, não a de grupos de interesses como se trans­­for­­maram os partidos. É aquela que se dá a partir da sinergia entre governos, iniciativa privada e cidadãos.

O sistema representativo está morrendo de inanição. Historicamente, o representante era eleito para elaborar e executar políticas públicas de interesse do representado. Hoje, ele interpreta o mandato, distorce a vontade da sociedade e trabalha em benefício de grupos de interesse ou de pequenos caprichos autocráticos.

Nossa missão é reverter esta tendência antes que a crise de representatividade destrua o estado democrático. O processo eleitoral de 2010 é mais uma oportunidade para que a sociedade assuma um papel relevante no cenário político.

Nas últimas semanas me reuni com mais de 200 lideranças empresariais de todo o Paraná para dialogar sobre as formas de melhorar a qualidade da participação do empresariado na política. Marca forte desta mobilização é o consenso de que o empresário deve adotar um novo posicionamento e assumir maior protagonismo no cenário político local e nacional.

Não resta dúvida de que o sistema político brasileiro vive uma aguda crise de legitimidade. Carcomido pelo jogo de interesses, está desacreditado. Seus processos ficaram obsoletos em relação aos avanços conquistados pela sociedade nas últimas décadas.

Chegamos a um ponto de inflexão. Tendo esgotado suas possibilidades, o sistema político do País precisa ser reformado com urgência, antes que o descrédito de hoje comprometa, logo adiante, o bem mais precioso da democracia: a liberdade dos cidadãos.
Dados preocupantes revelam que nos últimos anos houve retrocesso de liberdade de imprensa em quase todos os países da América Latina. É urgente, portanto, uma reforma política profunda, que signifique também vitalizar os pressupostos que sustentam a própria sociedade civil.

O imperativo de readequar o nosso sistema significa uma mudança na maneira como nós, brasileiros, fazemos e influímos na política. Não podemos mais continuar no papel de coadjuvantes chamados para legitimar decisões tomadas de cima para baixo.

Nosso desafio é contribuir para reformar o velho sistema representativo e ensaiar novas formas de interação política, de baixo para cima, na base da sociedade. Se não arregimentarmos as forças na sociedade em torno de uma nova plataforma de ação política, elaborada e encaminhada de modo autônomo, nunca vamos influir efetivamente nas decisões do sistema político.

A saída é promovermos duas coisas juntas: reformar e inovar.

No que tange à reforma, é fundamental restaurar o poder dos cidadãos e das localidades. Falamos aqui da introdução do Voto Distrital Misto e da configuração de um Novo Pacto Federativo, que devolva aos municípios recursos que foram usurpados pelo governo central e pelos governos estaduais.

Em relação às formas inovadoras de interação política é necessário conceder prioridade para aquelas que verdadeiramente aprofundem as relações entre democracia e o desenvolvimento local.

A nova política possível é uma política pública, não a de grupos de interesses como se transformaram os partidos. É aquela que se dá a partir da sinergia entre governos, iniciativa privada e cidadãos. Deve estar centrada no fortalecimento da sociedade civil, no empreendedorismo das pessoas e no protagonismo das populações locais.

O desenvolvimento local é, portanto, a chave para decifrar o enigma. Promovido por novos atores sociais, articulados em rede, é a pedra de toque para favorecer a emersão de uma nova política, não apenas representativa, reativa e reivindicativa, mas também participativa, interativa e proativa.
Estas novas redes de participação política precisam envolver cada vez mais empresários, universitários, ambientalistas, cientistas e pesquisadores para que possamos assumir nosso papel de liderança.

Se não podemos mudar as decisões de Brasília ou da capital do estado, com certeza podemos começar mudando a política nas localidades onde estamos. Ali é possível fazer a política que interessa a toda a sociedade: a política do desenvolvimento humano e social sustentável.